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A culpa é nossa

A culpa é nossa.

Sim, e é muito nossa. A culpa pelo Brasil estar como está é de todos nós. Dos outros, também, até porque os outros também somos nós.

Corrupção.
“Político é tudo ladrão.” Mas é um de nós. É igual à nós. Nasce, cresce, come, bebe, se reproduz e morre. Eles não vem do planeta dos políticos. São eleitos por nós, num processo eleitoral cuja lisura é elogiada por entes de todo o mundo.
“Não tem nada a ver um jogador de futebol/artista/celebridade querer ser político.” Discordo. Defendo que tem tudo a ver até pipoqueiro, o João do Gás, o Manoel das Coves, a Maria dos Butijões serem candidatos. O que é um ultraje são esses cidadãos serem eleitos. Socialistas de laptop Apple virão nos dizer que impedir tais candidaturas nos levaria a uma democracia parcial. Ora, não é isso o que temos de fato? Muitos artistas são os ‘puxadores de voto’, e levam à reboque pessoas igualmente despreparadas para legislar/executar/fiscalizar com votações por vezes pífias. Colecionamos exemplos dessa realidade desde que adotamos o voto proporcional.
Quando um candidato de uma igreja evangélica qualquer, mas poderosa, vai de culto em culto, de unidade em unidade, de estádio em estádio, de catedral em catedral, e o pastor ou bispo coloca a mão em sua cabeça, dizendo: “Esse é de Deus. Votem nele!” – e podemos transpor isso a bombeiros, médicos, engenheiros – estamos formando bancadas, as quais defenderão interesses de uma classe, muitas vezes elaborando projetos de lei custosos e inconstitucionais, não fiscalizando o executivo como deveria e, muito pior, negociando seus votos de acordo com o comando do líder do partido, da comissão ou da bancada. Não há voto limpo nas Câmaras e Congressos, ainda que em painel aberto.
Mas eles, como já disse, são um de nós. Nós, que nos calamos quando o caixa de uma papelaria nos dá troco a mais, que ultrapassamos em local proibido, que damos um tapinha na quilometragem do carro ao vendê-lo, que aceitamos balinha de troco, que furamos a fila do metrô, que sentamos nos assentos destinados a idosos e fingimos dormir, que adulteramos a quantidade de calmantes que o psiquiatra receitou. Qual é a diferença? Eles se candidataram a um cargo e conseguiram se eleger. Lançando mão do populismo, do poder, da popularidade, estão lá. Se eles são ladrões e ninguém faz nada, nós somos ninguém. Quem gosta de alguém taxando-lhe de malandro quando adulteramos os kms do carro de passeio? Uma provável reação seria uma briga, talvez culminando no ajuizamento de uma ação. O que nos impede, enquanto povo e cidadãos, de lançarmos mão do mesmo princípio contra os políticos? Se o Judiciário já está abarrotado de ações, a culpa não é nossa. Será que não é hora desse ‘poder’ decretar sua falência? Aliás, todos os ‘poderes’?

@Abelheira

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Categorias:Uncategorized
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