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Traçantes horizontes – Parte II

Bem, o post anterior é datado de ontem 21/1/2011.
A segunda parte foi composta à mão. É uma sensação única escrever à caneta, vivenciando como sua letra reage aos pormenores de inspiração, hesitação, suór. A escrita manual traz à reboque uma intimidade sanguínea com o texto. Sem mais delongas, ei-la.

Lançou-se ao mar. Sem roupas, despida, insípida, sem gosto nem pensamentos subversivos ou anteriores ou rasteiros que fossem, que a desmirassem de sua órbita, que a desabitassem do que lhe fosse, com direito apenas a resplandecer seu alvo sorriso e furtar de sua pele temperatura – arrepiando-lhe nuca-pé -; num ato provido de azul e selvageria, rodopiando em seu próprio eixo, lançou-se ao mar. Fitou o horizonte, relativizou o infinito. Quis, por assim querer, tombar-se ao mar dantes mais um dia. Portando em seu âmago esperança, trajando invisivelmente a coragem de ser, ter, tocar, explorar o que se lhe nunca dantes foi, teve, tocou, explorou.
Desistida que estava de tão-só existir, anseava viver. Queria esclarecer ao mundo que cá pisou com sonhos outrora velados, ocultos quiçá pelo medo, certamente pelo medo da dor. O mar, o novo, tudo aprouvia-lhe em palato único, sem pares nos ares até então aspirados. Era tanta a imensidão, haiva tanto mundo que antiteticamente clareava-lhe o saber das pequenas coisas e da infinitude de felicidade simples, absoluta, objetiva e incrivelmente desconhecida.
À toda esta experimentação sucedeu-se não sensação, mas certeza de poder lançar-se ao mundo, de exercer sobre as cercanias o poder que sua beleza emanava, de sorrir sem culpar-se, fingir-se e sim poder-se, exercer-se, lançar-se.
Brilhantes eram os novos tons, muito aliás lhe apeteciam. Caminhos antes escuros lhe estavam abertos. Sentia nascer música à leste, crescentes notas aconchegantes, recoberta de ouro, sem qualquer sacrifíio à celebração, à ode que eram essas tais tintas honrosas de ornamentar tão bela tela.
Inimaginável tal e qual necessário emergir. Como seguir tão agora se o novo era norte? Sorriu-se por presentear a morte com um baú velho, pesado de tanto guardar velhas esperanças já cansadas de não serevem renovadas, fétido por velar emoções esquisitas em avançado estado de decomposição, com farpas que nada menos eram fraturas expostas pelas feridas que tateou.
————————————————–
Nessa segunda parte, lancei-me ao desafio de concentrar-me no mesmo tema, sob iguais nuances, e dissertar. Ainda não sei se alterarei a ordem, ou se lançarei tudo num liquidificador – tarefa que se revela árdua. Porém, essa aridez revela desafios que me deixarão mais preparado no futuro, certo?
Outro grande desafio é se devo ou não dar um nome à personagem, claramente feminina, do texto. Algumas alcunhas me ocorrem, mas nada ainda me pescou.
Até a próxima!
@Abelheira.

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Categorias:Uncategorized
  1. janeiro 22, 2011 às 6:44 pm

    Lançou-se …grande passo.
    Lançou-se como ela, Ela…Ela…
    E esse medo, esse desafio e´ bom sinal
    Pois o verdadeiro escritor sempre sofre
    Sempre transpira
    Sempre duvida
    Os outros, sao simplesmente narradores de emoçao
    Como eu…
    Ela…lança-se…machuca-se
    Como voce, como eu
    Que nos arranhamos, nos machucamos
    Mas de alguma forma chegamos ate´ a praia
    Mas a nenhum porto seguro.

  2. janeiro 22, 2011 às 8:06 pm

    Instigante, profundo, o senso de descoberta, quase que como o nascimento, a revelação ao mundo… a maravilha de nortear-se pelo desconhecido, lançar-se ao infinito, sem saber onde se vai chegar…

    Parabéns pelo texto!

  3. janeiro 23, 2011 às 10:41 pm

    Way to go! You write beautifully. Congrats

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