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Traçantes horizontes

De há muito não via o mar. Houve assim, num rematado repente, um ímpeto descomunal de se ver lá, banhada e submersa, até por ignorar-lhe e sequer interessar-lhe se mais cristalinas eram as águas ou sua pele pueril. Teve de despir-se. Do passado, das sombras. Das sombras do passado. Viu-se envolta, ainda que só em imaginação (como se isso fosse só), numa túnica que outrora tanto a protegia, e que agora era uma ex-amiga da qual foi preciso livrar-se lentamente para que a dor não fosse tão patente.
Dos céus emanavam-se ventos frescos o suficiente para eriçar os pelos e mornos o suficiente para trazer-lhe segurança, certa de si como nunca dantes. Verdade seja dita: ela se deleitava de cada milímetro desse novo tempo. Ali, à beira-mar, eram apenas despida ela, sopro vento, verde mar, calmas ondas, branca areia. E isso era tudo. E isso lhe era tudo. Traspassar fases.
Era pele alva, alva areia, tudo um só. Era atemporal, posto que era o horizonte para uma nova pessoa. Parto indolor de uma fase cujo fato de simplesmente materializar-se já era o preâmbulo da bonança. Ela quis, deu-se de corpo e alma ao mar. Mergulhou tudo.

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Categorias:Uncategorized
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