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Problemas? Troque o técnico!

Se existe uma profissão incessantemente cobrada por resultados, essa profissão é o técnico de futebol no Brasil. Acompanhando o noticiário esportivo, vemos que mensalmente algum comandante, em algum lugar do Brasil, é demitido por conta de fraco aproveitamento. A cobrança dos dirigentes e, sobretudo, da torcida é implacável. Logicamente o imediatismo impera. Em outras modalidades, como no vôlei e no atletismo, verificamos treinadores e técnicos que perduram por até mesmo algumas décadas em seus postos, realizando trabalhos de longo prazo.

Acontece que quando uma equipe anda mal das pernas sempre olhamos para seu líder. É assim quando turmas inteiras tiram notas baixas – a culpa é do professor -, quando as vendas não alcançam as metas – a culpa é do gerente -, quando o projeto não foi aceito pelo cliente – a culpa é do gestor. Acontece também que, numa era em que se fala em liderança servidora, coesão de equipe, gestão de riscos e todos o economês e martikinês, ainda se verificam dois erros básicos, a meu ver.

1. Terceirização da culpa.
Não me atendo à definições de globalização, encontradas aos montes pelo Google, há uma em especial que gosto muito. “É a habilidade de uma empresa tornar-se mais competitiva globalmente, com soluções locais.” Antiteticamente, não encontro mais quem escreveu isso. Perdão. Bem, é um conceito que contempla sua melhor vantagem – o fomento à competição. E um de seus pilares é a terceirização. Não é mais preciso que uma empresa detenha todas as fases do ciclo de produção e venda de um produto; muito pelo contrário, é possível que a partir de um pequeno escritório milhões de dólares sejam faturados ao cabo de anos, meses, semanas e dias. Como o trabalho envolve pessoas, presume o erro. E o erro carrega a culpa em sua alma, e isso é um peso. É essa rocha que precisa ser realocada em outra pessoa – eis o surgimento da terceirização da culpa. A culpa é terceirizada, globalizada. Nunca é minha, é sempre de outro. Eu errei por erro seu. Eu errei porque meu colega não se dedicou, e não porque eu deixei de fazer aquele curso. Eu errei porque meu colega não fala inglês.

1. Troque o técnico

Já coordenei equipes de professores em filiais de cursos onde trabalhei, além de ter feito atendimento direito aos alunos. Houve, sim, um tempo em que uma das unidades em que eu estava ia muito mal das pernas em todos os aspectos – não se matriculavam novos alunos, o índice de cancelamento estava elevadíssimo, o recebimento financeiro era uma vergonha. O curioso é que eu retornava àquela unidade, da qual havia sido praticamente enxotado pelo franqueado por conta de inúmeros atritos de visões atrelados à minha inexperiência e ganância por parte dele, após um ano. A minha expulsão rendeu uma transferência para filial da matriz, o franqueado perdeu a unidade e eu voltei pra lá por morar muito próximo. Como eu já havia trabalhado lá, muitos alunos ainda permaneciam. Mas eu não podia ser o Carlos antigo, isso só geraria um provável novo desentendimento. Eu precisava trocar de técnico, e o técnico era eu. Não dava mais pra ser inexperiente, amador.
Era preciso colocar a mão na massa, sem nenhuma pieguice. Ou eu vestia a camisa de onde eu trabalhava e colocava aquela locomotiva pra funcionar, ou o insucesso me visitaria novamente.
Para aumentar a matrícula, sobre a qual eu não tinha muito controle, instituí a reativação. Ligava para alunos que me conheciam, mas que haviam cancelado durante o tempo em que não estive lá. Quando comuniquei isso à minha diretoria, fui autorizado a desconsiderar uma desistência a cada reativação efetivada. Pois bem, os cancelamentos tinham vergonhosos dois dígitos – e isso só se diminui com bons serviços prestados, o que está atrelado ao financeiro e ao controle de frequência, que passou a ser diário.
Consegui trazer o cancelamento para um dígito no primeiro mês, desconsiderando as reativações.  Envolvi a equipe de professores em um programa de metas de retenção de alunos com bônus, com um plano de carreira. Em três meses eu já tinha uma assistente de coordenação.
Conforme eu ligava para controlar a frequência e fazer e controle de qualidade das aulas, sutilmente solicitava aos alunos que efetuassem o pagamento na próxima aula. No mesmo mês em que voltei, tínhamos 95% de pagantes no dia 08, índice nunca antes visto.

Ah, as consequências: indicação para ir para o Texas e para controlar uma nova filial da matriz.

Não quero que este texto seja entendido como uma auto-bajulação umbiguista. É uma experiência muito real, na qual precisei trocar de técnico.

@Abelheira.

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